A família é um “centro de amor”


 

A família não é algo ultrapassado ou falido! Ao contrário, a família é lugar de vivermos plenamente o nosso chamado, a nossa vocação, busca à santidade e missão de vida. Além disto, a família é o ninho para todas as vocações.

Se falamos de vocação, falamos de um chamado de Deus e, se existe um chamado, se faz necessária uma resposta humana para se assumir um determinado estado ou forma de vida. Isso tem a ver com felicidade, pois essa é a consequência natural de alguém que, com liberdade, deu a sua resposta a um chamado de Deus em uma vocação. Esta felicidade não está no outro, mas em Deus, na busca pelo céu e no crescimento diário da graça santificante em nossas almas. Portanto, o casamento deve acontecer para amarmos e servirmos a Deus, e com isso, alcançar o Reino dos Céus. O matrimônio é algo que se realiza entre duas pessoas felizes em Deus, que se encontraram com Deus e consigo mesmas e, por isso, são capazes de ir além dos próprios interesses, se doando por inteiro para a outra pessoa.

É a partir do casal, que se inicia a família e o matrimônio é um dom do Senhor. “Jesus, ao referir-Se ao desígnio primordial sobre o casal humano, reafirma a união indissolúvel entre o homem e a mulher, mesmo admitindo que, “por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim” (Mt 19, 8). A indissolubilidade do matrimônio (“o que Deus uniu não o separe o homem”: Mt19, 6) não se deve entender primariamente como “jugo” imposto aos homens, mas como um “dom” concedido às pessoas unidas em matrimônio (Amoris Laetitia n. 62)". Portanto, a vida como casal não é um peso, uma obrigação, mas o matrimônio é um dom que leva os esposos a se doarem mutuamente, crescendo na comunhão a cada dia, pois, Cristo redimiu o matrimônio levando o matrimônio e a família à sua forma original, isto é, à forma criada por Deus, antes de serem manchados pelo pecado. Por conseguinte, a família foi estabelecida por Deus e Jesus elevou a união do casal a um sacramento.

A aliança esponsal, inaugurada na criação e revelada na história da salvação, recebe a revelação plena do seu significado em Cristo e na sua Igreja. O matrimônio e a família recebem de Cristo, através da Igreja, a graça necessária para testemunhar o amor de Deus e viver a vida de comunhão. O Evangelho da família atravessa a história do mundo desde a criação do homem à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26-27) até à realização do mistério da Aliança em Cristo no fim dos séculos com as núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19, 9)» (Amoris Laetitia n. 63)". Na entrega dos esposos entre si, podemos contemplar o mistério de Cristo que se entrega pela Igreja. No casamento, contemplamos o mistério da salvação de Jesus Cristo na sua total entrega de amor por nós.

No amor, é justamente onde somos chamados a crescer em nossa família. Não há graça maior que testemunhar o amor. O matrimônio possui dois fins a partir do amor: o auxílio que o casal deve ser um ao outro, isto é, o dom de si de um para com o outro com a união e cooperação mútua em todas as coisas na vida e a procriação e educação dos filhos. E para isso acontecer, a família deve ter a sua centralidade em Deus, na busca constante da perfeição do amor. Pois a família, “para além de seus prementes problemas e de suas necessidades urgentes, a família é um ‘centro de amor’, onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos ‘centros de poder’ mundanos(…) “Na casa familiar, a pessoa se integra natural e harmonicamente em um grupo humano, superando a falsa oposição entre indivíduo e sociedade. No seio da família, ninguém é descartado: tanto o idoso como a criança são bem-vindos. A cultura do encontro e o diálogo, a abertura à solidariedade e à transcendência têm nela o seu berço (Papa Francisco, Mensagem aos participantes do I Congresso Latino-americano da Pastoral Familiar, Panamá, 2014)". A família torna-se este “Centro de Amor”, à medida que tem o Verdadeiro Amor, Deus, no centro de toda a sua realidade.

A partir desta centralidade em Deus, podemos viver também a plenitude daquilo que é o propósito de um matrimônio cristão: “Deus que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata do ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador, que é amor. E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: “Deus os abençoou e disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a (Gn 1,28)” CIC  1604. Para que como casal, possamos ser cooperadores de Deus com a obra da criação.

O casal que toma consciência da missão que recebera diante do altar de Deus na constituição de uma família, vai direcionar seus esforços, atividades, estratégias, no sentido de cumprir seu objetivo enquanto família de ser um centro de amor. A partir daí, se pode priorizar e qualificar as coisas do dia a dia, como por exemplo: o quanto é necessário trabalhar? Como vamos nos divertir? O que devemos possuir? Como fazer todas estas coisas? As respostas devem ser dadas, considerando se o que vamos fazer vai contribuir para que a nossa família cumpra a finalidade que possui. Isto é cumprir o plano de Deus, e isto nos faz felizes.

Sendo assim, só é possível buscar e viver o amor como vocação própria da vida familiar se permanecermos com os olhos fixos em Jesus. Ele nos amou primeiro, e é por Ele, n’Ele e para Ele que vamos viver este amor. As famílias “nunca estarão sós, com as suas próprias forças”, enfrentando os desafios que possam surgir (Amoris Laetitia n. 74). Deus não nos abandona, ele está conosco em meio às tribulações da vida.  E é “fixando o olhar em Cristo” (Amoris Laetitia n.77), por meio da oração, que podemos entender esta realidade e seguir firmes no propósito de como família ser um bem para a Igreja, sendo para o mundo testemunhas do Amor de Deus!

Que o Senhor nos dê a graça de que, a partir de famílias cheias do Espírito Santo, que mantém os olhos fixos em Jesus, um Novo Pentecostes de Amor aconteça na Igreja e no mundo inteiro.

 

 

                                               André e Jacqueline Antonieti
Coordenação Estadual do Ministério para as Famílias
Renovação Carismática Católica de São Paulo

 

 

Imagem ilustrativa: Divulgação/Internet
Vídeo produzido por Ministério para Famílias de São Paulo

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